Comida afetiva: O que é comfort food?

“Mônica, 33 anos, arquiteta. Durante o dia ela se sente muito ansiosa e estressada com o trabalho e outros afazeres. Ela começou a frequentar uma academia e se sente ainda mais pressionada, pois se exercitar é uma nova responsabilidade para ela. Segunda ela, existe uma válvula de escape chamada comida.
Mais precisamente lasanha. Mônica adora lasanha e sempre que a come, sente nostalgia e felicidade. Isso, realmente, traz para ela uma paz de espírito e ainda ajuda a mandar a ansiedade para bem longe.
O problema é que Mônica usa essa ‘válvula de escape’ com muita frequência. E com esse hábito de comer sempre a mesma coisa, a riqueza de nutrientes que seu corpo precisa fica em segundo plano. Além disso, ficar dependente de um alimento é sempre uma coisa muito ruim, tanto para o corpo quanto para mente.”
Esta historia é um pouco parecida com a sua?
Você se lembra dos pratos preparados por sua mãe ou avó na infância? Já pensou se fosse possível relembrar aquela nostalgia consumindo pratos simples e feitos com carinho? Pois essa é a proposta do comfort food.
Surgindo como uma tendência oposta ao fast food (alimentos genéricos e nem um pouco saudáveis), o comfort food tem como foco proporcionar às pessoas a nostalgia e o conforto que só a comida é capaz de trazer — mas ele também tem seu lado ruim.
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Ficou interessada sobre essa tendência? Continue lendo o texto!

Por que os hábitos alimentares dos dias atuais são tão ruins?

Muitas pesquisas mostram um fato alarmante: as pessoas estão trabalhando e se preocupando com o futuro muito mais do que deveriam. Além de se manterem ocupadas no local de trabalho,  ainda vão mexer nas redes sociais e outros ladrões de tempo depois de chegar em casa.

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Estamos sempre correndo


Isso acaba deixando a vida muito corrida e nós acabamos ficando tentados a consumir alimentos não saudáveis, porém práticos, como o fast food, por exemplo.
Isso nos traz males muito perigosos como hipertensão (causada pelo sal excessivo presente nesses alimentos) e diabetes (causada pelo alto teor de açúcar de alguns alimentos “indispensáveis” na nossa alimentação atual, como o refrigerante).
Aí aparece o comfort food, como sendo uma opção mais saudável. Contudo, essa afirmação nem sempre é verdadeira. Tudo vai depender da crise emocional que você pretenderá descontar aquele alimento. Há pessoas, por exemplo, que consomem uma barra de chocolate. Será que isso é bom?

Mas afinal, o que é comfort food?

Você provavelmente tem aquele prato favorito que é capaz de te levar a boas lembranças e está sempre em seu cardápio. Isso é um exemplo de comfort food. Muitos chefs de cozinha já sabem o poder que eles possuem quando o assunto é encantar as pessoas, e muitos deles usam deste artificio por meio de pratos simples e temperos caseiros.

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São comidas que te lembram a infância, momentos felizes


Você se lembra do filme ratatouille, do momento em que o ratinho cozinheiro consegue agradar um respeitado crítico culinário com um simples prato que remetia à infância desse crítico? Então, o comfort food atua desse modo: agradando tanto o paladar quanto o lado emocional.

Qual a desvantagem do comfort food

Bom, como você já deve ter percebido, o comfort tem o poder de mexer com o estômago e com cabeça das pessoas ao mesmo tempo. E isso não é uma coisa boa, pois ele é capaz de “viciar” seu paladar e seu lado psicológico, trazendo boas memórias e bons sabores. Dessa forma ele pode atrapalhar a diversidade e riqueza de nutrientes da sua dieta.
Talvez, a única “parte boa” do comfort food, é o fato dele mostrar que nos temos algum problema psicológico (depressão, ansiedade ou estresse) a ser tratado, já que fica claro que você come X alimento quando está se sentindo triste. Ou Y alimento quando se sente ansiosa.

Como funciona a parte psicológica do comfort food?

Muitos pesquisadores descobriram que estado emocional de uma pessoa é afetado pelas escolhas alimentares e pela quantidade ingerida. A alimentação possui uma forte relação com os hábitos de consumo de cada pessoa e com a sua cultura.
Cada alimento tem o poder de desencadear determinadas sensações, por exemplo, quando abrimos uma garrafa de champanhe, muitas vezes, temos a sensação de celebração. Outro ótimo exemplo seria que o fato de comer muitos doces pode trazer uma sensação de consolo após uma decepção.

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Comer descontroladamente


O efeito emocional do comfort food vem de sua conexão com os sentimentos e lembranças pessoais, que são ativadas na memória quando o comemos. Além disso, o consumo desses alimentos eleva à produção de dopamina, produzindo estímulos de prazer e de alegria na região cerebral.
Nos Estados Unidos da América, por exemplo, foi constatado que os presos condenados à morte pedem como última refeição, alimentos os quais, possuem algum vínculo afetivo (um prato típico de sua região, ou alguma receita de família).

Substituições inteligentes para o comfort food

Uma estratégia muito boa para mudar o estilo de vida e evitar deslizes na alimentação é realizar substituições de alguns alimentos. Assim você não precisa abrir mão do seu prato preferido durante a reeducação alimentar, basta adaptar os ingredientes. Agora veja alguns exemplos.
Macarronada – dê preferência para a versão preparada com massa integral, sem molhos brancos e queijos gordurosos. Também opte por usar um molho de tomate caseiro.
Feijoada – Opte por uma versão vegetariana, adicionando o tofu (soja fermentada) como forma de substituir os miúdos, carnes e embutidos. Também é interessante utilizar temperos naturais e caso você prepare uma feijoada tradicional, escolha consumir pouca quantidade de miúdos e embutidos, sempre adicionando couve na refeição (rica em fibras e antioxidantes) e abacaxi, pois contém bromelina, enzima que auxilia na digestão.
Sobremesas – Substitua o açúcar refinado por adoçantes naturais como a stévia ou xilitol, ou pelo açúcar mascavo em pouca quantidade. Estes tipos de açúcares apresentam mais minerais e nutrientes, pois não foram refinados.
Como você pode ver, o comfort food pode ter seu lado ruim, mesmo parecendo tão bom. Mas ele também pode ser muito saudável para seu corpo e mente, caso você saiba consumi-lo de forma consciente e responsável, buscando alternativas saudáveis à pratos nostálgicos.
E qual é o seu comfort food? Conte pra gente nos comentários!

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